Porquê?
pretextos são atribuídos ao pouco uso de métodos anticoncepcionais por adolescentes: medo dos pais descobrirem, medo de encarar a própria sexualidade, falta de conhecimento sobre os riscos de se engravidar, pensamento "mágico", etc. Não importando as causas, o resultado é conhecido: milhares de gravidezes em adolescentes, com suas conseqüências nefastas tanto para a sua saúde quanto para sua integração e desenvolvimento social.
No entanto, um fator se ressalta entre todos: a falta de orientação e o desconhecimento total ou parcial dos diversos métodos anticoncepcionais, seu modo de uso, suas vantagens e desvantagens, suas contra-indicações, sua eficácia e até mesmo os chamados efeitos benéficos não contraceptivos.
Agora veremos os principais métodos anticoncepcionais que podem ser usados na adolescência.
PÍLULA ANTICONCEPCIONAL
Pode ser usada à partir de 6 meses da menarca ( primeira menstruação). Caracteriza-se por possuír um ou dois hormônios que atuam através da inibição da ovulação e também pela modificação do endométrio (camada interna que reveste o útero) e do muco cervical.
As pílulas combinadas (que contém dois hormônios) são as mais utilizadas e são muito eficazes se tomadas corretamente. Deve-se iniciar seu uso no primeiro dia da menstruação e tomar um comprimido diariamente aproximadamente no mesmo horário durante 21 dias. A seguir ficar 7 dias sem ingerir a pílula. Neste período deve ocorrer sangramento semelhante ao menstrual. Em caso de esquecimento de tomar 1 pílula deve-se tomá-la o mais rápido possível, de preferência até no máximo 12 horas do horário habitual. Caso passe desse prazo, tomar assim mesmo a pílula atrasada, continuar a cartela, passar a usar um método anticoncepcional adicional (camisinha, por exemplo) e procurar um médico ginecologista para orientações.
Às vezes a pílula pode causar uma série de efeitos colaterais desagradáveis, tais como: dores de cabeça, dores nos seios, enjôos, perdas de sangue fora da época e aumento de peso. Isto vai depender da pílula e de cada organismo e deve ser avaliado pelo médico.
Em relação às contra-indicações, a adolescente se beneficia do seu fator idade e raramente apresenta alguma doença em que os riscos superem as vantagens do seu uso. Os riscos de complicações sérias também são baixos. De qualquer modo deve-se fazer sempre uma avaliação médica prévia ao seu uso seguidas de uma avaliação anual.
Além de evitar a gravidez com uma grande eficácia, a pílula anticoncepcional pode trazer também os seguintes benefícios para a saúde da usuária:
- Diminuição do fluxo menstrual: diminui os dias de incômodo e diminui a incidência de anemia
- Controle do ciclo: o ciclo costuma ficar mais regular. A usuária pode também adiantar ou atrasar uma menstruação por motivos diversos ( viagens, casamento, competição esportiva, etc.)
- Cólicas menstruais: em grande parte das usuárias, esse incômodo, tão comum entre as adolescentes, melhora acentuadamente.
- Infecções: a pílula protege contra alguns tipos de infecções das trompas. Somente nos EUA ocorrem menos 13 mil internações ao ano devido a essa proteção.
- Câncer do endométrio: a usuária de pílula tem a metade do risco de ter este tipo de câncer
- Câncer do ovário: também diminui em cerca de 40% a incidência deste tipo de câncer
- Cistos ovarianos funcionantes: a incidência é diminuída em cerca de 90%
ALGUNS MITOS SOBRE A PÍLULA
- O uso prolongado da pílula causa infertilidade? Não. O que acontece é que na população em geral nós temos um determinado número de casais inférteis, digamos 10 - 20%. Muitas mulheres inférteis estão tomando a pílula por não saberem deste fato e ao interromper o método para engravidar logicamente não irão engravidar. A pílula não tem nada a ver com isto.
- Precisa-se "descansar " todo ano de tomar a pílula?
Não. Não existe nenhuma prova científica que esse descanso seja necessário. A usuária de pílula pode tomá-la sem tempo pré-determinado, desde que faça acompanhamento médico anual para controle. - A pílula engorda? Depende de cada organismo e da pílula. Existem várias marcas de pílulas. As de baixa dosagem e mais modernas apresentam menor tendência de ganho de peso do que as mais antigas. Com essas pílulas, o ganho de peso (se houver) não passa de 1-2 kg. Já as garotas mais "gordinhas" de fato são mais susceptíveis a um aumento maior de peso.
DIU
O dispositivo intra-uterino (DIU) é um método que difere fundamentalmente dos dois anteriores (pílula e injetável) porque só age no local em que se situa: cavidade uterina. Não tem nenhuma ação sistêmica. Consiste num pequeno objeto de plástico com cerca de 3 cm, em forma de um "T" ou de uma ferradura, envolvidos parcialmente com fios de cobre. O seu mecanismo de ação é por ação espermaticida, destruindo os espermatozóides dentro da cavidade uterina. Dependendo do modelo o DIU pode durar de 5 até 10 anos dentro da cavidade. Pode ser colocado 1 mês após o parto ou durante o período menstrual, num procedimento simples e rápido. Devem ser efetuadas revisões periódicas, para se avaliar o seu correto posicionamento.
O DIU tem como vantagens não causar nenhum efeito sistêmico (dores de cabeça, aumento de peso, nervosismo, enjôos, etc). Tem como desvantagens um aumento variável do fluxo menstrual e exige que o casal tenha um comportamento sexual monogâmico, sob pena um aumento do risco de infeções pélvicas. Não é um bom método para quem não tenha tido ainda um filho.
Alguns mitos sobre o DIU:
- O DIU é abortivo?
Não uma vez que ele age como espermicida, "matando" ou inativando os espermatozóides antes que eles entrem em contato com o óvulo.
- Nos casos de falha do DIU o feto corre risco de má-formação? Não há este risco, no entanto, sempre que possível o DIU deve ser retirado para se evitar uma interrupção precoce da gravidez por ruptura da bolsa.
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA (pílula pós-coito) São métodos que podem ser usados após uma relação potencialmente fecundante, para se evitar uma gravidez indesejada. Geralmente são utilizados hormônios e/ou pílulas existentes no mercado, ingeridos em dose maior que o usual.
A FEBRASGO (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia) recomenda seu uso em situações de emergência, como em casos de violência sexual, relação sexual desprotegida e nos casos de possível falha de outro método (ex: ruptura de camisinha). Não podem ser utilizados rotineiramente. O médico deve ser procurado no máximo até 72h do fato ocorrido, após o qual não há mais possibilidade de prescrição.
MÉTODOS DE BARREIRA E NATURAIS
A grande vantagem dos métodos de barreira, especialmente a camisinha, é a prevenção da gravidez associada à prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), inclusive a AIDS. Na adolescência a camisinha é um dos métodos que merece maior disseminação para seu uso, devido à freqüente situação de instabilidade sexual-afetiva dos parceiros. Além da AIDS, a grande vilã, existem diversas outras DST que vem crescendo por entre os adolescentes: gonorréia, clamídia, tricomoníase, sífilis e HPV são alguns exemplos.
O diafragma não conta com uma boa aceitação entre os adolescentes.
Tabela
A tabela (método rítmico) baseia-se na abstinência sexual nos períodos férteis. Não é muito segura, mas deve ser sempre ensinada para que a adolescente e mulher possa ter uma plena consciência do seu ciclo menstrual e que possa ser utilizada em caráter eventual .
Maneira de se fazer uma tabela:
- 1. Anote cerca de 6 ciclos menstruais 2. Subtraia 18 do número de dias do ciclo mais curto 3. Subtraia 11 do número de dias do ciclo mais longo 4. O resultado das subtrações dará o período de fertilidade da mulher
Ciclo mais longo: 30 dias
Assim: 26 - 18 = 8
30 - 11 = 19 Período fértil ou de risco de gravidez: do 8o. ao 19o. dia de cada ciclo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário